ANTT abre Audiência Pública para nova concessão da Malha Sul e avança na estruturação de três corredores ferroviários no Sul do país

O bolso do caminhoneiro e o planejamento das empresas de transporte estão prestes a mudar, pois a antiga rede ferroviária do Sul, operada pela Rumo Malha Sul, chega ao fim de seu contrato em 2027 e será substituída por um novo modelo de concessão. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu um passo decisivo nesta terça-feira ao abrir uma Audiência Pública para a futura gestão dos três corredores que compõem a Malha Sul, um sistema que une São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Esse processo de participação social antecede o leilão e o edital final, mas já revela a estrutura do novo empreendimento: um conjunto de mais de 4.200 quilômetros dividido em três eixos distintos. O Corredor Paraná-Santa Catarina, com 1.502 quilômetros, é o coração do sistema, concentrando 78% da carga e ligando portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. Já o Corredor Rio Grande, de 880 quilômetros, e o Corredor Mercosul, o mais extenso com 1.865 quilômetros, formam uma malha integrada onde os recursos financeiros são redistribuídos entre os lotes para garantir a viabilidade do todo.
Na prática, a grande mudança está na forma como os R$ 4,8 bilhões previstos para os investimentos serão aplicados, com um foco agressivo na reconstrução da infraestrutura gaúcha. Cerca de R$ 3 bilhões desse valor serão direcionados especificamente para reparar os danos causados por recentes eventos climáticos no estado do Rio Grande do Sul, enquanto o Corredor Paraná-Santa Catarina, sendo o mais robusto financeiramente, injetará recursos nos outros dois eixos.
Para quem roda ou contrata frete, isso significa que a operação não dependerá mais de aportes diretos do Tesouro Nacional, mas sim de um modelo de investimentos cruzados entre os corredores. O contrato futuro prevê um ciclo de 30 anos com um investimento total de R$ 14,4 bilhões em capital e R$ 38,6 bilhões em custos operacionais, criando uma lógica onde a saúde financeira de um trecho sustenta a continuidade dos outros, reduzindo a dependência de subsídios externos.
A sociedade tem até 10 de agosto de 2026 para enviar sugestões às minutas do edital, com sessões presenciais e híbridas agendadas em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis entre julho e agosto. O Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, reforçou que a infraestrutura precisa funcionar na prática e gerar resultados percebidos, usando a audiência como ferramenta para desenhar o projeto com o melhor perfil possível antes da licitação.
O que observar nos próximos meses é como as sugestões da sociedade influenciarem a minuta final do edital, já que a publicação das informações detalhadas sobre o projeto só ocorrerá em 8 de junho de 2026. Enquanto isso, o setor aguarda o certame único que licitará os três lotes juntos, prometendo uma reestruturação que busca equilibrar a capacidade de exportação de grãos e outros commodities com a resiliência da malha frente a desafios climáticos.
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