ANTT lança Programa Rodovia Segura para Todas e fortalece proteção às mulheres nas rodovias concedidas

O lema "Eu sei que vou chegar" não é apenas um slogan bonito, mas uma promessa direta à segurança e tranquilidade de quem roda as rodovias brasileiras, especialmente mulheres que enfrentam desafios específicos ao viajar ou trabalhar nas estradas. A ANTT está mudando a realidade ao lançar o Programa Rodovia Segura para Todas, uma iniciativa que vai além da conscientização e busca transformar o dia a dia de milhares de usuárias através de infraestrutura física, tecnologia e protocolos operacionais integrados.
Na quinta-feira (18/06), durante a Bienal das Rodovias 2026, o Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, assinou um termo de parceria que materializa essa proposta de longo prazo. A estratégia envolve uma mobilização colaborativa entre governo, concessionárias, operadores logísticos, forças de segurança e iniciativa privada, com o objetivo central de avaliar, estruturar e desenvolver ações que garantam acolhimento e proteção. A base do programa é a escuta ativa, que permitirá percorrer diferentes trechos para ouvir quem vive o cotidiano das rodovias e validar as prioridades reais antes de qualquer grande investimento.
A primeira fase da implementação já está definida para a BR-364, no trecho entre Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT), escolhido como corredor estratégico por suas condições adequadas para replicação em outras rodovias. Com um prazo inicial de 60 dias, a execução da primeira fase operacional focará em três frentes simultâneas: criação de pontos seguros, fortalecimento da proteção e desenvolvimento de ferramentas digitais. O resultado prático será a instalação de botões de emergência, brigadas especializadas em escuta e acolhimento feminino, além de uma central de apoio 0800 integrada diretamente à Polícia Rodoviária Federal.
Para dar suporte a essas ações físicas, o programa prevê o lançamento de um aplicativo que permitirá ao usuário acompanhar em tempo real a localização dos pontos seguros, como áreas de descanso e bases operacionais, e acionar recursos de emergência com geolocalização precisa. Essa integração entre infraestrutura e tecnologia visa oferecer atendimento humanizado e autonomia, consolidando uma rede de proteção efetiva onde mulheres possam se deslocar com confiança. Um conselho formado majoritariamente por mulheres vivenciantes esses desafios diariamente acompanhará todo o processo para assegurar que as medidas respondam às demandas reais do setor.
O impacto para quem roda ou contrata frete será a existência de um ecossistema aberto que prioriza a segurança humana sobre métricas puramente quantitativas, como extensão de quilômetros ou bilhões em investimentos. A ANTT deixa claro que, além dos milhões investidos e da tecnologia disponível, o elemento mais importante são as pessoas, e especificamente a garantia de que mulheres possam chegar ao destino desejado sem medo. Isso significa que operadoras e transportadores terão que adaptar seus protocolos para incluir essas novas frentes de trabalho, criando um ambiente mais seguro para a mão de obra feminina no setor.
A partir de agora, o foco das rodovias concedidas muda para a proteção ativa e o acolhimento, com o primeiro teste prático já agendado para o trecho da BR-364. Observadores do setor devem acompanhar de perto a validação dessa primeira fase para entender como a integração entre forças de segurança, tecnologia e infraestrutura pode transformar a mobilidade rodoviária. O sucesso do programa dependerá da capacidade de replicar esse modelo em outros corredores, transformando a promessa de "Eu sei que vou chegar" em uma realidade tangível para todas as usuárias das estradas brasileiras.
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