Extensão da Malha Norte avança em Mato Grosso e reforça novo ciclo de expansão ferroviária no país

O bolso do produtor e o calendário do caminhoneiro mudaram na última semana, pois a nova ferrovia do Mato Grosso agora garante que a gruba saia da terra sem depender tanto do asfalto. Com 160 quilômetros de extensão e um terminal moderno em Dom Aquino, a Malha Norte conecta diretamente as fazendas do Centro-Oeste ao Porto de Santos, reduzindo o tempo de espera e o custo de transporte dos grãos.
A entrega da primeira fase ocorreu no sábado com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro dos Transportes George Santoro, marcando o início de um ciclo de expansão que mobilizou mais de 65 empresas e 5 mil profissionais. O projeto, desenvolvido pela Rumo e integrado ao Novo PAC, conta com mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados, financiados pela Sudeco e pelo BNDES através de debêntures.
Na prática, isso significa que a produção de Mato Grosso, que supera 150 milhões de toneladas, terá uma saída mais rápida e previsível para os mercados internacionais. O ministro Santoro destacou que o banco criou uma linha de financiamento específica com carência de 40 anos para comprar material rodante, mudando a política de crédito para atrair investidores em ferrovias.
Para quem roda ou contrata frete, a redução dos custos logísticos é o ganho mais tangível, já que o Brasil gasta 15% do PIB com esse gasto e a interoperabilidade entre modais é essencial para baixar essa porcentagem. O ministro anunciou uma meta de contratar 160 bilhões em investimentos ferroviários, complementando a carteira de concessões rodoviárias que já soma 35 projetos em andamento.
A obra representa um dos principais projetos em execução no país, pois articula diferentes modais e exige parcerias estratégicas entre governos federal, estadual e municipal para garantir a operação eficiente. O diretor-presidente da Rumo, Pedro Palma, enfatizou a necessidade de observar impactos sociais e ambientais durante a construção e o funcionamento da infraestrutura.
O fechamento da fase inicial deixa claro que o foco agora é a continuidade da expansão da rede, com a meta de contratar 400 bilhões em rodovias até o fim do ano e integrar hidrovias para transformar a logística nacional. A competitividade do Brasil como exportador de alimentos depende diretamente dessa capacidade de escoar a produção de forma eficiente e barata.
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