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Infraestrutura

Rota dos Sertões: concessão da BR-116/324 busca impulsionar logística no Nordeste

Fonte: Ministério dos Transportes · 04 de junho de 2026

Rota dos Sertões: concessão da BR-116/324 busca impulsionar logística no Nordeste
Iza Guedes (CC BY-SA 3.0)

O bolso do caminhoneiro e o calendário de entregas do Nordeste estão prestes a ser reescritos pela chegada da nova concessão da Rota dos Sertões, um eixo que liga Feira de Santana à Salgueiro. Esse trecho, amplamente reconhecido como vital para o abastecimento regional e a mobilidade da população, carrega o peso de ser o coração pulsante da logística nordestina. Agora, com o leilão da concessão da BR-116/324/BA/PE promovido pelo Ministério dos Transportes agendado para esta quinta-feira (28) na Bolsa de Valores de São Paulo, o setor espera uma transformação concreta que traga mais segurança, fluidez e capacidade operacional para quem depende dessas estradas.

No centro desse corredor estratégico está Feira de Santana, conhecida como "Princesa do Sertão" e consolidada como o maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste. É da cidade baiana que partem cargas, alimentos, insumos industriais e mercadorias que alimentam diferentes regiões do país, funcionando como elo essencial entre o litoral, o sertão e diversos mercados consumidores. A importância econômica da cidade é tamanha, impulsionada pelo comércio, serviços e transporte de carga, onde o segmento de logística emprega cerca de 11 mil pessoas segundo dados da RAIS 2024.

A dinâmica industrial do local é exemplificada pelo Centro Industrial do Subaé (CIS), terceiro maior polo industrial da Bahia, que abriga cerca de 300 empresas dos setores alimentício, de bebidas e pneumáticos. Entre elas destaca-se a PepsiCo, uma das maiores corporações mundiais, que utiliza o corredor logístico da Rota dos Sertões para distribuir produtos por todo o território nacional. Rodolfo Machado, gerente da fábrica, destaca que a localização da cidade é um diferencial crítico, pois a fábrica expede diariamente cerca de 240 toneladas de produtos, movendo aproximadamente 6 mil toneladas mensalmente pelas rodovias da região.

Porém, antes dessa nova concessão, quem depende diariamente da BR-116/324/BA/PE enfrentava desafios constantes na infraestrutura do trecho. Congestionamentos, desgaste da pavimentação e sinistros de trânsito afetavam o transporte de cargas, provocando atrasos que elevavam os custos operacionais das empresas. Valéria Martins, coordenadora de logística da Mauricéia Alimentos, relata que problemas na pavimentação aumentam o custo de manutenção da frota e dificultam a operação, comprometendo entregas e o abastecimento dos clientes.

Na prática, a aprovação dessa concessão deve significar uma redução na variabilidade dos tempos de viagem e uma melhoria na qualidade da via, fatores que impactam diretamente a eficiência do frete. Para quem roda ou contrata serviços de transporte, isso pode se traduzir em menores custos de manutenção de veículos, menos paradas por falhas na estrada e maior previsibilidade nas entregas, elementos fundamentais para a competitividade das empresas que dependem desse eixo. A expectativa é de que o trecho ganhe uma segurança e fluidez que hoje são escassas, permitindo que a logística regional funcione com mais agilidade.

O que observar nos próximos dias é o resultado do certame realizado na B3, que determinará quem terá o direito de explorar e investir na modernização dessa infraestrutura. O sucesso dessa concessão dependerá da capacidade de transformar a promessa de segurança e capacidade operacional em melhorias tangíveis que beneficiem não apenas as empresas de transporte, mas toda a cadeia produtiva que depende da Rota dos Sertões para conectar o Nordeste ao resto do Brasil.

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